quarta-feira, 1 de abril de 2009
Mudança de endereço
Sendo assim, o novo endereço do Africopoética é http://africopoetica.wordpress.com. Manterei aqui por tempo indeterminado os textos já postados, mas já os transportei todos ao novo blog.
Agradeço desde já os acessos e os seguidores conseguidos.
Nos vemos lá.
Um abraço!
Sandro Brincher.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
II Gala Porto's Africa
10 % cento da renda do jantar do evento foi para a Médicos do Mundo, entidade que desenvolve projetos humanitários em Moçambique, Guiné, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Angola.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Angola envia soldados ao Congo
Pedido de ajuda foi feito por governo local, que combate rebeldes apoiados por Ruanda em região rica em minérios
Envolvimento externo reproduz alinhamentos da guerra civil entre 1998 e 2002, quando mais de 5 milhões morreram no país
O governo de Angola anunciou ontem que está mobilizando soldados para enviar à vizinha República Democrática do Congo, o que agrava os temores de que os combates que grassam no país centro-africano venham a envolver outras nações da região.
Georges Chicoty, ministro assistente do Exterior angolano, não informou o número de soldados que serão enviados ao Congo nem que missão terão, e não estava claro se agirão como forças de paz ou em apoio ao governo em sua luta contra os rebeldes comandados pelo antigo general Laurent Nkunda.
Angola já enviou soldados ao Congo para apoiar o governo durante a guerra civil de 1998 a 2002, quando grupos rebeldes da etnia tutsi tinham apoio de Ruanda e de Uganda. O conflito de quatro anos deixou estimados 5,4 milhões de mortos, a maioria por fome e doenças.
Agora, de novo, Ruanda apóia o tutsi Nkunda, que rompeu um cessar-fogo acertado no início do ano na região de Kivu do Norte, um dos centros de produção mineral no Congo.
O Congo solicitou assistência militar a Angola em 29 de outubro, enquanto Nkunda avançava em direção à capital provincial, Goma. Repórteres já viram soldados lusófonos e usando insígnias com o mapa de Angola em postos rodoviários.
Os combates no Congo se intensificaram em agosto e desde então deslocaram pelo menos 250 mil pessoas, a despeito da presença da maior força de paz da ONU no mundo -17 mil homens. Funcionários da ONU afirmam que tanto os rebeldes quanto as tropas do governo cometeram crimes contra civis.
Os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU e o embaixador do Congo anunciaram na terça-feira que existe acordo quanto ao reforço do contingente da ONU, que não conseguiu deter os combates ou impedir o avanço dos rebeldes.
Uma rara batalha noturna irrompeu na madrugada de anteontem em Kibati, ao norte de Goma, onde pelo menos 75 mil pessoas procuraram refúgio. "A tensão é muito grande, porque há muitas pessoas lá, e a cidade fica tão perto de Goma", disse o porta-voz das forças da ONU.
Ele afirmou que até 800 soldados do Exército congolês cometeram crimes em sua retirada ante o avanço rebelde. Ele informou que existem denúncias de estupros de civis e que houve saques a aldeias.
Fonte: Folha de São Paulo, 13 nov 2008.
sábado, 25 de outubro de 2008
Alexandre Werneck "Como fugir do rótulo de africanos?''
Autores discutem como fugir do rótulo de africanos
Alexandre Werneck, Jornal do Brasil
RIO - A nacionalidade de um escritor costuma ser parte de seu cartão de visita. Em tempos de mundialização dos universos e das pautas culturais, pertencer a uma literatura nacional acabou por se tornar um elemento de identidade ainda mais forte. Mas para os escritores oriundos de países da África, a capa do passaporte parece, por vezes, e sobretudo no Brasil, padecer de um certo “excesso de síntese”:
angolano, moçambicano, guineano, o adjetivo que acaba ao lado do autor é mesmo “africano”. É como se a África fosse um país.
A Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas (Fliporto) – que ocorre no balneário pernambucano de 6 a 9 de novembro – celebrará os pontos de contato entre as literaturas latino-americanas e as vindas do continente negro (que na literatura nem é tão negro assim). O encontro,
que em sua quarta edição começa a se consolidar como um espaço de referência para a reflexão acadêmica em teoria literária no país, levou o Idéias a aproveitar para perguntar: como mostrar as
peculiaridades das literaturas de cada país africano sem incorrer no risco da farinha do mesmo saco, o clichê da “literatura africana”?
– Esse é um esterótipo oriundo da ignorância – diz a pesquisadora Lucila Nogueira, professora da UFPE e curadora literária da Fliporto. – É primordial pensar não na África, mas em Áfricas, em literaturas africanas, justamente a preocupação que tivemos na curadoria.
– É um fenômeno que ocorre muito mais no Brasil, que desconhece suas origens e é um país muito grande, que acha que se basta a si próprio – diz José Eduardo Agualusa, de Angola, conhecido dos brasileirossobretudo por O ano em que Zumbi tomou o Rio.
Unidades diaspóricas
Agualusa falará na Fliporto em 7 de novembro, na mesa sobre o acordo ortográfico entre os países de língua portuguesa, e, no mesmo dia, conversa com os conterrâneos Pepetela e Ondjaki em uma mesa sobre a literatura de seu país, ligação que ele nem acha tão relevante assim, deslocando o debate para um extremo ainda mais distante:
– Um autor não quer ser reconhecido como continental ou nacional, mas como escritor.
Outro que participa da Festa, Luis Carlos Patraquim, de Moçambique, menos conhecido por aqui, é um dos poetas mais celebrados em seu país (autor de obras elogiadas como O osso côncavo). Ele também critica (por e-mail) a unificação, em bom português lusitano (pré-acordo):
– Falar assim de África, genericamente e sem referir países e suas especificidades, decorre ainda de uma inconsciente idéia de império ou de aquilo a que alguém chamou de “desejos coloniais”. Mas a própria “África” = países africanos por vezes também não ajuda. Falar da floresta sem ver as árvores é incorrecto.
Fora da Festa, mas um dos mais importantes observadores brasileiros das africanidades, Nei Lopes defende o outro lado: para ele, embora seja preciso ver os países africanos em sua unidade, é importante ver a África em pelo menos um sentido unificado: a partir de uma leitura de sua diáspora:
–Todos os pontos de contato são motivados por uma origem comum. Que começa nos primórdios da Humanidade e atravessa a alta Antiguidade, com migrações seculares, até quase os nossos dias. E também pela tragédia do escravismo que, de certa forma, uniu a todos na desgraça e que, ainda por cima, culminou na exploração colonial mais aviltante, através da utilização de métodos bem semelhantes, tanto da parte de franceses quanto de ingleses, belgas ou portugueses. A idéia de uma integração entre a África e sua diáspora, uma colaboração efetiva em nome de uma origem comum, uma reverência de herdeiros diante de um respeitável e portentoso legado ancestral é, no meu entender, altamente pertinente – teoriza Lopes.
Diáspora também é a palavra-chave de Lucila Nogueira, que informa que o guia conceitual para o encontro foi o modelo de pensamento do filósofo jamaicano radicado no Reino Unido Stuart Hall, autor da pesquisa Da diáspora: identidades e mediações culturais , na qual discute as mestiçagens culturais no mundo contemporâneo e estabelece pontos de contato entre as culturas.
– A diáspora negra é vista hoje da mesma maneira que a judaica, como a dispersão de um povo pelo mundo. O Brasil não pode olhar para nada de maneira unificada, porque, afinal, não somos nada unificados também. É impossível falar de literatura brasileira, mas também de múltiplas literaturas.
Pois bem, o Brasil tem mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados e mais de 180 milhões de habitantes. Guiné-Bissau se espreme em 36,5 mil quilômetros quadrados e tem pouco mais de 1,4 milhão de habitantes. Mesmo assim, a multiplicidade é a mesma tônica nacional: se aqui há uma região Nordeste profundamente diferente da região Sul, igualmente lá há dezenas de etnias que tornam o país uma colcha de retalhos cultural. O poeta Antônio Soares Lopes, o Tony Tcheka, “representa”, por assim, dizer, Guiné-Bissau, na Fliporto – onde, aliás, como vários dos colegas africanos (usemos o termo com cuidado) lançará obras, em escala lusófona. Seu país tem influência islâmica e nele o português oficial não é nem de longe o idioma mais falado. O crioulo é presente e quase sempre hegemônico na fala (e muitas vezes escrita). Tcheka diz, por telefone, de Portugal, onde é radicado, que sua relação com esse traço já aponta uma peculiaridade gritante da literatura de seu país:
– Se me perguntam quando escrevo em português e quando em crioulo, digo que sinceramente não sei. Às vezes uso os dois no mesmo poema, indistintamente.
Ele sugere uma outra relação com a idéia de unidade, defendendo encontros como a Fliporto como momentos mais úteis para mostrar a diferença do que para consolidar semelhanças entre escritores africanos, sejam eles de quaisquer origens e línguas:
– As literaturas por si próprias já demonstram essa diferença. Colocadas uma ao lado das outras, fica
explícito o contraste. Mas não um contraste de separação, de isolamento, mas uma diferenciação que oferece vários universos diferentes
sábado, 4 de outubro de 2008
José Eduardo Agualusa et al "Aquela Mulher"
Fonte: Diário da Manhã, Goiânia - GO
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Inocência Mata "A literatura africana e a crítica pós colonial – reconversões"
Conforme a autora, os ensaios ali reunidos são fruto de sua prática docente e crítica, além de pesquisas sobre questões cruciais, metodológica e teóricas, no estudo das literaturas africanas.
“Pretendo nestes ensaios percorrer alguns destes lugares científicos e erigi-los a temas de minhas reflexões sobre a razão cultural das teorias e conceptualizações adoptadas no estudo das literaturas africanas, intentando a revisitação de algumas disposições conceituais, a reformulação de alguns conceitos por via da análise crítica do discurso e a reposição de algumas problemáticas no estudo das literaturas dos países emergentes – na senda, aliás, do que vem acontecendo também na área das teorias pós-coloniais, desde há alguns anos”.O que me chama a atenção é o fato de que autoras e autores consagrados nesse meio utilizem a expressão literatura africana, no singular. Não que isso seja um grande problema metodológico ou teórico, mas me é difícil não escrever literaturas africanas, assim, no plural. Entendo que a flexão de número, neste caso, ultrapassa questões estilísticas: penso que a África é tão plural quanto suas literaturas, logo...
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Instituto Camões mostra cinema moçambicano em Luanda
Com obras de ficção e documentários, a programação começa com a exibição de A Tempestade da Terra, de Fernando D'Almeida e Silva, e termina na sexta-feira com O Jardim do Outro Homem, do realizador Sol de Carvalho.
Completam a semana os documentários Mia Couto, O Desenhador de Palavras, de José Ribeiro, na terça-feira, Ricardo Rangel - Ferro em Brasa, de Licínio Azevedo, na quarta-feira e Muvart, de José Augusto Nhantumbo, na quinta-feira.
Meu destaque pessoal vai para Ricardo Rangel - Ferro em Brasa, documentário sobre a vida e a obra do hoje octogenário fotógrafo-jornalista Ricardo Rangel, um dos pioneiros de uma geração que iniciou as denúncias contra a situação colonial em terras moçambicanas. O filme, que passeia pelos 60 anos de trabalho de Rangel, é também importante registro da própria história de Moçambique.
sábado, 20 de setembro de 2008
Mia Couto grava documentários para a RTP
Fonte: Correio da Manhã (Portugal), 20 Setembro 2008
Mia Couto começa a gravar na próxima segunda-feira, dia 22, um conjunto de documentários sobre os Parques Naturais de Moçambique. O projecto nasceu de uma parceria entre a RTP e a televisão pública daquele país.
A série documental, que a RTP 1 deverá emitir em 2009, é da autoria do escritor moçambicano Mia Couto, que irá percorrer vários parques naturais da sua terra natal e apresentar alguns dos animais e plantas mais invulgares.
Além destes documentários a RTP vai também começar a produzir neste Outono uma série de 13 episódios sobre os animais selvagens em Portugal Continental e ilhas, entre eles a baleia dos Açores, o javali, as águias, as lontras e ainda os lobos.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Angola, Portugal e muitos Brasis
Errata: na notícia original, o primeiro nome do brasileiro Dalton Trevisan foi gravado de forma equivocada (Danton)Oito brasileiros disputam com o português António Lobo Antunes e o angolano Ondjaki a final de 2008 do Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa, anunciou a organização.
Os vencedores serão conhecidos em 29 de outubro. Os finalistas brasileiros são:
- Marília Garcia ("20 poemas para o seu walkman")
- Beatriz Bracher ("Antonio")
- Julián Fuks ("Histórias de literatura e cegueira")
- Nicolas Behr ("Laranja seleta")
- Raimundo Carrero ("O amor não tem bons sentimentos")
- Cristóvão Tezza ("O filho eterno")
- Bernardo Carvalho ("O sol se põe em São Paulo")
- Paulo Britto ("Tarde")
"Foi muito difícil chegar aos dez finalistas porque tivemos um conjunto de obras bem interessante, sem unanimidade, como nas edições anteriores", disse Selma Caetano, coordenadora do prêmio. Selma Caetano revelou que, dos 51 livros finalistas, 30 autores foram votados pelo júri, o que deixou a disputa "muito apertada". "Tivemos uma grande diversidade de autores, desde novatos a nomes consagrados. Os próximos jurados vão ter muito trabalho para escolher os três melhores", afirmou.
Primeiro, segundo e terceiro colocados receberão prêmios de, respectivamente, R$ 100 mil, R$ 35 mil e R$ 15 mil. No ano passado, o escritor português Gonçalo M. Tavares foi o vencedor do Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa com o livro "Jerusalém", eleito entre as 382 obras inscritas. Os brasileiros Dalton Trevisan, autor de "Macho não ganha flor" ficou em segundo e Teixeira Coelho, com a obra "História natural da ditadura", foi terceiro colocado.
Editora Baraúna lança serviço inédito para autores
Esta notícia me chegou direto de África através de um amigo angolano que mora na Guiné Equatorial. Fiquei até envergonhado pelo fato de ser algo que eu deveria conhecer, já que é um serviço que tenho procurado há um tempo por conta de uma trabalho de edição crítica de um livro manuscrito da Câmara de Desterro [1811-1824] que fiz junto com Carlos de Negreiros, Evandro Rodrigues, e Victor da Rosa. Enfim, ei-la:
A Editora Baraúna lança um serviço aparentemente inédito no Brasil: um pacote de serviços editoriais para publicação de livros "independentes". O esquema básico é o seguinte:
1. FAZ-SE UM CONTRATO PRESERVANDO OS DIREITOS AUTORAIS.
Isso inclui a diagramação, escolha de capa, obtenção de número ISBN e ficha catalográfica, uma prova impressa para revisão e mais quatro exemplares de amostra.
2. RECEBE-SE "O TRIPLO" PELO DIREITO AUTORAL.
O autor envia os originais do livro e é informado sobre qual será seu preço de capa, recebendo 30% sobre as vendas, o triplo do que se pratica no mercado brasileiro. A cada volume pré-determinado de faturamento, recebe-se automaticamente uma ordem de pagamento com os lucros sobre as vendas.
3. O LIVRO FICA À VENDA NO SITE DA EDITORA.
Impressão, armazenamento, manuseio, embalagem, emissão de nota fiscal ao consumidor e despacho pelo correio aos compradores são por conta da editora. À venda pelo site, o livro nunca fica esgotado. Por quê? porque os livros são impressos individualmente, em função das vendas. A qualidade técnica é, segundo eles, rigorosamente a mesma de qualquer outro livro.
4. DIVULGA-SE O LIVRO.
Isso incluiu a inclusão do autor e do título do seu livro nos principais mecanismos de busca da Internet, envio de notícias à imprensa especializada, além de boletins informativos via e-mail.
Para saber mais sobre o serviço, visite www.editorabarauna.com.br
Se forem publicar alguma coisa, avisem-me!